(Assuero Cardoso*, madrugada de 26/09/08)
Não fiz
ontem um poema
Ele veio, sem chaves,
o portão estava aberto,
a minha boca não escrevia nada.
Havia espera nos meus olhos,
linhas, letras ocultas
onde mãos não liam nada.
Não fiz um poema, ontem não fiz,
ele me deixou acordado
rimou com o meu corpo
brincou de métrica comigo.
O poema não era meu
disse que veio do mundo
mas não me deixou recado.
Foi-se embora em branco
feito a noite sem um grito.
Ontem, o portão estava aberto
num poema que não fiz.
*Assuero Cardoso é Professor e Poeta, autor dos livros "Nu e Noturno" (1990), "Tribo" (1996) e "Lua Lírica" (2000), todos de Poesia, e "O Espectro no Espelho" (2005), de Contos.










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