Cartum extraído do site http://www.lucianopires.com.br/cartuns/
"Na prática, as imagens transmitidas sem cessar pela televisão não só informam o indivíduo - mostrando-lhe o mundo - mas também formam sua personalidade, apresentando-lhe os modelos de comportamento vividos na telinha pelos personagens deste mundo idealizado da celebridade ao qual ele aspira. A celebridade é um mito típico das sociedades contemporâneas. 'Aparecer na televisão', mesmo que seja para ser humilhado pelo célebre apresentador; ter sua carta sorteada pelo 'Baú da Felicidade' ou pela 'Xuxa'; ser 'descoberta' por um diretor e virar uma estrela do cinema da noite para o dia; encontrar o príncipe encantado que, por amor, abrirá à mocinha pobre as portas do mundo radioso dos personagens célebres; muitas são as formas deste sonho coletivo, continuamente renovado pela televisão.
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Os outros traços marcantes desta sociedade são o caráter efêmero, de suas expressões culturais e o caráter de simulação de suas experiências. O que importa não é o que somos, sentimos ou mesmo o que temos. Importa o que parecemos.
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Das grandes decisões políticas ao imaginário das crianças, a sociedade conteporênea é marcada por este traço essencial: a aparência, o simulacro, aquilo que pode ser divulgado. Assim, as meninas imitam Xuxa e mimetizam seus trajeitos sem nenhuma inibição frente às câmaras; o político promete o impossível e afirma o improvável; a dona de casa entrevista louva as qualidades do sabão em pó.
Na sociedade do espetáculo, a política é fundada na aparência, na imagem que 'passa bem' na televisão, no rosto qie 'fotografa' bem. O essencial é comunicar, o importante é convencer."
BELLONI, Maria Luiza, O que é mídia-educação, Autores Associados, 2ª ed., pág.63 e 64.











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