Manuel Bandeira (1886-1968)
Vi ontem um bicho
Na imundície do pátio
Catando comida entre os detritos.
Quando achava alguma coisa,
Não examinava nem cheirava:
Engolia com voracidade.
O bicho não era um cão,
Não era um gato,
Não era um rato.
O bicho, meu Deus, era um homem.
Rio, 27 de dezembro de
1947
COMENTÁRIO:
"Sentimos ao ler essa poesia uma compreensão fraternal do mundo, não isenta de melancolia e crítica. Ela deve contribuir como um grito de alerta, já que na sociedade há pessoas que vivem do lixo e no lixo. Bandeira observava as pessoas da janela de sua casa na Lapa, porque a doença às vezes o impedia de sair. O dia-a-dia desperta uma completa revolução literária. Há uma forte tendência de valorizar a discussão dos problemas sociais. Aníbal Machado tem razão ao dizer que: “Não sabemos o que queremos, mas sabemos discernir o que não queremos”. O que vale é a intuição do poeta. Isso Bandeira tinha no seu jeito de enxergar o mundo. As imagens citadas na poesia são tiradas da vida diária. Existe um interesse pelo social."
Fonte: http://www.filologia.org.br/viiicnlf/anais/caderno11-04.html











Comentários