Música: "Canção da América", Milton
Nascimento.
Tenho
amigos que não sabem o quanto são meus amigos.
Não
percebem o amor que lhes devoto e a absoluta necessidade que tenho
deles.
A
amizade é um sentimento mais nobre do que o amor, eis que permite
que o objetivo dela se divida em outros afetos, enquanto o amor tem
intrínseco o ciúme, que não admite a rivalidade. E eu poderia
suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os amores,
mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos!!!
Até
mesmo aqueles que não percebem o quanto são meus amigos e o quanto
minha vida depende de suas existências...
A
alguns deles não procuro, basta-me saber que eles existem. Esta
mera condição me encoraja a seguir em frente pela vida. Mas, porque
não os procuro com assiduidade, não posso lhes dizer o quanto gosto
deles.
Eles
não irão acreditar.
Muitos
deles estão lendo essa crônica e não sabem que estão incluídos na
sagrada relação de meus amigos. Mas é delicioso que eu saiba e
sinto que os adoro, embora não declare e não os procure. E às
vezes, quando os procuro, noto que eles não tem noção de quanto me
são necessários, de quanto são indispensáveis ao meu equilíbrio
vital, porque eles fazem parte do mundo que eu, tremulamente,
construí e se tornaram alicerces do meu encanto pela vida. Se um
deles morrer, eu ficarei torto para um lado. Se todos morrerem, eu
desabo!!!
Por
isso é que, sem que eles saibam, eu rezo pela vida deles. E me
envergonho, porque essa minha prece é, em síntese, dirigida ao meu
bem estar.
Ela é, talvez, fruto do meu egoísmo.
Por vezes, mergulho em pensamentos sobre alguns deles.
Quando
viajo e fico diante de lugares maravilhosos, cai-me alguma lágrima
por não estarem junto de mim, compartilhando daquele
prazer...
Se
alguma coisa me consome e me envelhece é que a roda furiosa da vida
não me permite ter sempre ao meu lado, morando comigo, andando
comigo, falando comigo, vivendo comigo, todos os meus amigos, e,
principalmente os que só desconfiam ao talvez nunca vão saber que
são meus amigos!!!
A
gente não faz amigos, reconhece-os.
Autoria atribuída a Vinícius de
Moraes
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