Meu
Deus! não mais este laurel de espinho
Não mais a dor, que o coração devasta:
Minha alma é farta de martírios... basta!
Deixai esta ave procurar seu ninho,
No meu sepulcro não terei as rosas,
As doces preces que os felizes têm:
Pobres ervinhas brotarão viçosas,
E o esquecimento brotará também.
Tudo conspira para o meu
tormento;
Sofrendo, aos pouco minha fé se apaga:
Morte!... é a frase que soluça a vaga,
Triste notícia que me traz o vento...
Nem sobre a campa colherei saudosas
Gotas de pranto que derrame alguém;
Pobres ervinhas brotarão viçosas,
E o esquecimento brotará também.
Estranha nuvem denegriu-me a
sorte,
Do mar da vida revoltou-me as águas;
As ondas batem sobre as minhas mágoas
E as brosas falam sobre a minha morte.
No chão dos túmulos expressões penosas
Por mim dizê-las não virá ninguém;
Pobres ervinhas brotarão viçosas,
E o esquecimento brotará também.
Meu
Deus!... não posso caminhar sozinho
Por entre as sombras que esta vida encerra,
Minha alma ansiosa quer voar da terra,
Deixai esta ave procurar seu ninho.
No pó que habito não terei as rosas,
As doces preces que os felizes têm;
Pobres ervinhas brotarão viçosas,
E o esquecimento brotará também.
(Pressentimento, Tobias Barreto, 1868).
Fonte: http://www.overmundo.com.br/overblog/tobias-barreto-um-condor-solitario
Imagem: Monumento em homenagem a Tobias Barreto, na Orla de Atalaia, Aracaju/SE











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