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Uma das mais antigas invenções da humanidade é o boato. Deve ter nascido quando o homem aprendeu a dizer a primeira palavra inteligível, compreendida por seu interlocutor, ou interlocutora. O primeiro boateiro ou boateira não deve ter tido um campo muito amplo, para a propagação de sua pretensa verdade a respeito de outrem, mas, mesmo assim ele sentiu o gostinho de vaidade por se sentir um pouco "dono" do destino do próximo. Desde então o boato e sua variação, a fofoca, ganharam um lugarzinho entre as "ocupações" dos que têm pouco ou nada para fazer, a não ser criar fatos na vida dos outros. Veio a palavra escrita, e, imaginem o que devem ter feito os primeiros boateiros "alfabetizados" diante da maioria ignorante quanto àqueles rabiscos. Muita tragédia se consuma, lares se desfazem, nomes honrados são lançados à lama; sempre muita tristeza porque alguns se comprazem em disseminar inverdades. E quem conhece "clima" mais propício do que período de campanha eleitoral para a propagação de boatos? Ao se meter em política partidária, o cidadão deve estar consciente do risco de se tornar vítima da maldade de alguém. Basta uma palavra "mal dita" em tempo e lugar errados, para se seu nome cair na boca do povo tal qual donzela depois do primeiro beijo em tempos idos. Mas, o boato ganhou força mesmo foi com o rádio. No início qualquer zunzum captado pelo radialista era transformado em notícia, sem que se apurasse a verdade. E foi assim que no início dos anos cinqüenta, um disco voador teria descido em Caratinga-MG com respaldo do Repórter Esso, o supra-sumo do noticiário radiofônico no tempo em que televisão, para nós, ainda era notícia e também boato. Chegou-se a cogitar de movimentação de tropas – era um dos boatos derivativos – mas a origem de toda a confusão não passara de uma brincadeira (disseram depois) entre dois funcionários dos Correios e Telégrafos. Ainda nos anos cinqüenta, mais precisamente em 1958, parece-me que por vingança, espalhou-se a notícia de que a carne bovina estaria a comprometer a masculinidade. Foi um alvoroço. A carne começou a apodrecer nos açougues, pois os homens não a comiam nem por "reza braba" e as mulheres, por via das dúvidas, não queriam arriscar. Até que o medo desaparecesse totalmente, um bom tempo se passou. E por ele, bois e vacas agradeceram, enquanto engordavam nos pastos. O fato acabou virando tema de marcha carnavalesca (Boi da Cara Preta) no ano seguinte.
Os dois fatos aqui lembrados são bons exemplos do mal que o boato pode causar.


















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