Home Data de criação : 08/09/19 Última atualização : 11/10/17 11:24 / 140 Artigos publicados

Literatura

"Concebi meu primeiro MICROCONTO"  (Literatura) escrito em quinta 28 outubro 2010 04:57

Prezado professor Joscivanio,

É com afinco e esmero que...

Chega! Não é porque estava fazendo uma leitura que me remetia à época imperial brasileira em Sergipe que necessito usar essa formalidade. Pois bem, vou tentar uma escrita mais moderna, vou recomeçar:

Gritos e gemidos, bofetões e choro, movimentos e lamúria atrapalharam minha dedicada leitura ao conteúdo de História de Sergipe II. Ao me dar conta, notei que se tratava da obesa vizinha do bloco 13 que mais uma vez era espancada pelo marido. Fiquei enfurecido e me perguntei: será que não determinaram ainda pra ele o horário (passava das 22h) de bater? Putz!! Apanhar até poderia poder, bater também, só não poderia incomodar a vizinhança ,carambaaa!!!

Impressiona-me viver em uma fase da história que veremos a primeira mulher como presidente do Brasil e ter o conhecimento que uma Maria, a Maria da Penha, fez de seus sofrimentos uma lei na constituição brasileira que se fará perene através de seu nome, ouvir um covarde bater e uma covarde apanhar, e o pior: atrapalhar meu momento intelectual-acadêmico. Dessa mesma forma que me causa impressão, no mesmo tom torna-me inconcebível que a mesma violência é extensível à uma adolescente - Bruna, a filha dela, enteada dele. No início, no início para mim, quando ouvi pela primeira vez imaginei que estava sonhando ou que estava presenciando uma cena de novela, mas hoje já acostumei (em pleno século XXI), eles também, não duvido. O ser humano tem essa flexão, se acostuma com o bom e com o ruim, mesmo que seja pancada, mas se acostuma.

Mas e minha leitura? Aff! Que raiva! Indignei-me. E, em meio a tudo lembrei que Vânio no dia de hoje havia me falado dos MICROCONTOS, e o pior, prometi-lhe que escreveria algum antes que findasse o prazo para postagem no concurso. Motivei-me escrever sobre a gorda que apanha e o covarde que a bate. Não demorou muito, e na segunda tentativa saiu:

"Na versão afetiva da vida, o relacionamento encontra o vírus da violência. Carece atualização: Download aqui!"

Não há nada de jocoso em apanhar nem em bater, muito menos em cortar o raciocínio intelectual dos vizinhos, mas existe a astúcia e a sagacidade para gerar o meu primeiro Microconto. Não sei se tá bom, caro professor, mais saiu, e como esse é o primeiro... os próximos pretendo que sejam melhores.

Quero viciar-me! Mas antes de ficar entorpecido, preciso dominar o assunto da cana-de-açucar no Vale do Cotinguiba do século XVII. Inté mais...

Do amigo Marcos Antônio (Marcão), recebido por e-mail.

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O Inventor de Capitu  (Literatura) escrito em sábado 04 outubro 2008 19:00

Blog de ponderacoes : Ponderações, Reflexões, Opiniões, Humor, Literatura, Poesia, Cinema, Música, Arte e VIDA!, O Inventor de Capitu

Texto de Sandra Baldessin*

 

Em 2008, comemora-se o centenário da morte do escritor Joaquim Maria Machado de Assis, o mais expressivo representante da literatura brasileira segundo a crítica especializada, embora haja vozes dissonantes.

O fato é que, em 1939, ocasião do centenário de seu nascimento, Machado de Assis ainda não significava, para o Brasil, o que hoje representa, devido à importância de sua obra. Assim, surgiu todo um movimento cultural em torno da comemoração da data de sua morte, uma forma de resgatar os anos de incompreensão.

Incompreensão, esta, que esteve respaldada na opinião de outros importantes intelectuais das letras brasileiras. Entre eles, Mário de Andrade e Monteiro Lobato. Mário e Lobato concordavam que Machado de Assis mostrara-se um autor “colonizado”, alienado da realidade do país.

Entretanto, nos últimos 70 anos, as mudanças ocorridas nos paradigmas da crítica literária colaboraram para que a obra de Machado de Assis fosse reconhecida em toda sua grandeza. Afinal, por que Machado deveria se restringir à realidade brasileira se o seu olhar literário abrangia toda a condição humana?

Se os seus contemporâneos não o compreenderam, e os que vieram imediatamente a seguir não vislumbraram o alcance do seu gênio, nada mais justo que a posteridade reconhecesse a importância desse escritor que foi o primeiro presidente da Academia Brasileira de Letras.

Infelizmente, Machado de Assis costuma ser apresentado aos possíveis novos leitores de uma forma equivocada, através de fichamentos e exercícios de interpretação de textos cuja finalidade é preparar os alunos para as agruras do vestibular. E, cuidado, Machado é dificílimo!

Mas existe uma diferença crucial entre leitores potenciais e pré-vestibulandos. Leitores potenciais podem ser seduzidos pelo poder do texto literário, transformando-se em aficionados da leitura por toda a vida. Trata-se de uma questão de abordagem.

Não há dúvida que a obra de Machado de Assis merece uma revisão da abordagem no contexto escolar; ele não é apenas o escritor que mais “cai” nos nossos vestibulares. Machado é a reconhecida presença do Brasil nos exigentes cânones da literatura mundial.

O inventor da deliciosa Capitu, de Dom Casmurro, cumpriu no cenário da literatura brasileira a extraordinária missão de semeador de dúvidas e idéias, criador de espelhos nos quais a sociedade pode se mirar, num exercício lúdico de reconhecimento.

Sua obra é ponto de partida para muito do que já foi produzido pela literatura brasileira posteriormente. É uma honra lembrar: Machado de Assis é nosso e é universal.

Fonte: http://www.lucianopires.com.br/idealbb/view.asp?topicID=8743

 

*Sandra Baldessin é Escritora, Consultora em Comunicação Escrita. Realiza oficnas de Terapia Literária e Liberação da Linguagem Criativa. Tem dois livros publicados: "A flor do verso" (poemas" e "A cidade enquanto espaço de vivência cultural" (ensaio sobre os cenários culturais da cidade de Rio Claro/SP).

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"Canudos — Diário de Uma Expedição", de Euclides da Cunha  (Literatura) escrito em sexta 26 setembro 2008 16:20

Blog de ponderacoes :Ponderações, Reflexões, Opiniões, Humor, Literatura, Poesia, Cinema, Música, Arte e VIDA!, 'Canudos — Diário de Uma Expedição', de Euclides da Cunha

 

Livro-reportagem do imortal Euclides da Cunha (nascido a 20 de janeiro de 1866 e assassinado tragicamente a 15 de agosto de 1909), Canudos — Diário de Uma Expedição fora publicado postumamente em 1939 como o vol. 16 da Coleção Documentos Brasileiros da Livraria José Olympio.

Essa obra nos permite confrontar o diário de guerra do escritor e a obra definitiva d' Os Sertões, lançada em 1902. Após a publicação de dois textos sobre a Campanha de Canudos em O Estado de São Paulo, Euclides recebe convite para acompanhar o Estado-Maior do Marechal Bittencourt, então Ministro da Guerra, como correspondente do jornal; e segue em 1897 para o recinto da luta, no sertão baiano, onde faz a cobertura dos acontecimentos finais daquele conflito, juntando assim rico material jornalístico/literário, que seriam a base, a matéria-prima, para a publicação do maior clássico da literatura brasileira:
Os Sertões.

Os artigos publicados n' O Estado de São Paulo, bem como telegramas e cartas escritas pelo escritor diretamente da Bahia dando notícias do andamento do conflito, e ainda notas de sua caderneta de campo, fazem parte de
Canudos — Diário de Uma Expedição.

Graças às anotações e à coragem do jornalista Euclides da Cunha, tomamos conhecimento do massacre violento e covarde do poder sobre o homem do sertão; relato que se tornoum um vivo retrato da violência contra o sertanejo, a força que se impunha em nome da recém instituída República. Euclides consegue como ninguém fazer de sua literatura um instrumento da verdade.

Canudos — Diário de Uma Expedição é portanto de leitura obrigatória para todos aqueles que aceitam o emocionante desafio de conhecer a obra euclidiana. Recomendo ao jovem leitor menos experiente que comece lendo primeiro Canudos — Diário de Uma Expedição e, depois, Os Sertões, pois um complementa o outro. E como já dizia Paulo Dantas, escritor premiado, autor de várias obras, dentre elas Antologia Euclidiana: "Precisamos, porém, derrubar os mitos, todos os mitos, pois em cultura não se admitem mitos, mas símbolos. E um dos mitos que precisamos derrubar é que para se entender ou ler bem Euclides torna-se necessário ter ao lado um dicionário". Engana-se quem assim pensa! "Temos, porém" — diz ainda Paulo Dantas, "de levar em conta que a obra euclidiana é um produto típico de um estilo concebido numa época onde o escrever difícil era moda. Não fora isto teríamos Euclides hoje mais entendido e amado por todos, principalmente pelos jovens leitores das nossas escolas ou universidades". E um bom começo para conhecer a obra euclidiana (principalmente Os Sertões) é a leitura de Canudos — Diário de Uma Expedição. Eu o recomendo.

E concluo esclarecendo que o grande Euclides da Cunha também escreveu outras obras: À Margem da História, Contrastes e Confrontos, Peru versus Bolívia, e ainda alguns poemas, hoje reunidos num pequeno volume intitulado
Ondas.

Boa leitura!

(Publicado originalmente no site http://pt.shvoong.com/books/historical-novel/136611-livro-canudos-di%C3%A1rio-uma-expedi%C3%A7%C3%A3o/ )

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