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Discursos

Sucesso  (Discursos) escrito em segunda 24 novembro 2008 21:00

Blog de ponderacoes :Ponderações, Reflexões, Opiniões, Humor, Literatura, Poesia, Cinema, Música, Arte e VIDA!, Sucesso

 

O baiano Nizan Guanaes é publicitáio, famoso por ser um dos melhores do ramo e um considerado um excelente redator. Ele é dono de algumas agências publicitárias famosas a exemplo da DM9DDBB, Africa e outras.

Um de seus mais famosos textos é o discurso de formatura em uma das melhores escolas de puclicidade, a FAAP. Nele, Nizan fala de SUCESSO!

Vamos ao texto. Vale a pena!

 


 

          Dizem que conselho só se dá a quem pede. E, se vocês me convidaram para paraninfo, sou tentado a acreditar que tenho sua licença para dar alguns. Portanto, apesar da minha pouca autoridade para dar conselhos a quem quer que seja, aqui vão alguns, que julgo valiosos.

          Não paute sua vida, nem sua carreira, pelo dinheiro. Ame seu ofício com todo coração. Persiga fazer o melhor. Seja fascinado pelo realizar, que o dinheiro virá como conseqüência. Quem pensa só em dinheiro não consegue sequer ser nem um grande bandido, nem um grande canalha. Napoleão não invadiu a Europa por dinheiro. Hitler não matou 6 milhões de judeus por dinheiro. Michelangelo não passou 16 anos pintando a Capela Sistina por dinheiro. E, geralmente, os que só pensam nele não o ganham. Porque são incapazes de sonhar.

          E tudo que fica pronto na vida foi construído antes, na alma. A propósito disso, lembro-me uma passagem extraordinária, que descreve o diálogo entre uma freira americana cuidando de leprosos no Pacífico e um milionário texano. O milionário, vendo-a tratar daqueles leprosos, disse: "Freira, eu não faria isso por dinheiro nenhum no mundo." E ela responde: "Eu também não, meu filho".

          Não estou fazendo com isso nenhuma apologia à pobreza, muito pelo contrário. Digo apenas que pensar em realizar tem trazido mais fortuna do que pensar em fortuna. Meu segundo conselho: pense no seu País. Porque, principalmente hoje, pensar em todos é a melhor maneira de pensar em si. Afinal é difícil viver numa nação onde a maioria morre de fome e a minoria morre de medo. O caos político gera uma queda de padrão de vida generalizada. Os pobres vivem como bichos, e uma elite brega, sem cultura e sem refinamento, não chega viver como homens.

          Roubam, mas vivem uma vida digna de Odorico Paraguassu. Que era ficção, mas hoje é realidade, na pessoa de Geraldo Bulhões, Denilma e Rosângela, sua concubina. Meu terceiro conselho vem diretamente da Bíblia: seja quente ou seja frio, não seja morno que eu te vomito. É exatamente isso que está escrito na carta de Laudiceia: seja quente ou seja frio, não seja morno que eu te vomito.

          É preferível o erro à omissão. O fracasso, ao tédio. O escândalo, ao vazio. Porque já vi grandes livros e filmes sobre a tristeza, a tragédia, o fracasso. Mas ninguém narra o ócio, a acomodação, o não fazer, o remanso. Colabore com seu biógrafo. Faça, erre, tente, falhe, lute. Mas, por favor, não jogue fora, se acomodando, a extraordinária oportunidade de ter vivido. Tendo consciência de que, cada homem foi feito para fazer história. Que todo homem é um milagre e traz em si uma revolução. Que é mais do que sexo ou dinheiro.

          Você foi criado, para construir pirâmides e versos, descobrir continentes e mundos, e caminhar sempre, com um saco de interrogações na mão e uma caixa de possibilidades na outra. Não use Rider, não dê férias a seus pés. Não sente-se e passe a ser analista da vida alheia, espectador do mundo, comentarista do cotidiano, dessas pessoas que vivem a dizer: eu não disse!, eu sabia!

          Toda família tem um tio batalhador e bem de vida. E, durante o almoço de domingo, tem que agüentar aquele outro tio muito inteligente e fracassado contar tudo que ele faria, se fizesse alguma coisa. Chega dos poetas não publicados. Empresários de mesa de bar. Pessoas que fazem coisas fantásticas toda sexta de noite, todo sábado e domingo, mas que na segunda não sabem concretizar o que falam. Porque não sabem ansear, não sabem perder a pose, porque não sabem recomeçar. Porque não sabem trabalhar. Eu digo: trabalhem, trabalhem, trabalhem. De 8 às 12, de 12 às 8 e mais se for preciso. Trabalho não mata. Ocupa o tempo. Evita o ócio, que é a morada do demônio, e constrói prodígios.

          O Brasil, este país de malandros e espertos, da vantagem em tudo, tem muito que aprender com aqueles trouxas dos japoneses. Porque aqueles trouxas japoneses que trabalham de sol a sol construíram, em menos de 50 anos, a 2ª maior megapotência do planeta.Enquanto nós, os espertos, construímos uma das maiores impotências do trabalho. Trabalhe! Muitos de seus colegas dirão que você está perdendo sua vida, porque você vai trabalhar enquanto eles veraneiam. Porque você vai trabalhar, enquanto eles vão ao mesmo bar da semana anterior, conversar as mesmas conversas, mas o tempo, que é mesmo o senhor da razão, vai bendizer o fruto do seu esforço, e só o trabalho lhe leva a conhecer pessoas e mundos que os acomodados não conhecerão. E isso se chama sucesso.

(Discurso do publicitário Nizan Guanaes na formatura da FAAP, extraído da Internet)

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"Eu Tenho Um Sonho" (Martin Luther King)  (Discursos) escrito em quinta 20 novembro 2008 20:00

Blog de ponderacoes :Ponderações, Reflexões, Opiniões, Humor, Literatura, Poesia, Cinema, Música, Arte e VIDA!, 'Eu Tenho Um Sonho' (Martin Luther King)

Discurso de Martin Luther King (28/08/1963).

 

"Eu estou contente em unir-me com vocês no dia que entrará para a história como a maior demonstração pela liberdade na história de nossa nação.

Cem anos atrás, um grande americano, na qual estamos sob sua simbólica sombra, assinou a Proclamação de Emancipação. Esse importante decreto veio como um grande farol de esperança para milhões de escravos negros que tinham murchados nas chamas da injustiça. Ele veio como uma alvorada para terminar a longa noite de seus cativeiros.

Mas cem anos depois, o Negro ainda não é livre.

Cem anos depois, a vida do Negro ainda é tristemente inválida pelas algemas da segregação e as cadeias de discriminação.

Cem anos depois, o Negro vive em uma ilha só de pobreza no meio de um vasto oceano de prosperidade material. Cem anos depois, o Negro ainda adoece nos cantos da sociedade americana e se encontram exilados em sua própria terra. Assim, nós viemos aqui hoje para dramatizar sua vergonhosa condição.

De certo modo, nós viemos à capital de nossa nação para trocar um cheque. Quando os arquitetos de nossa república escreveram as magníficas palavras da Constituição e a Declaração da Independência, eles estavam assinando uma nota promissória para a qual todo americano seria seu herdeiro. Esta nota era uma promessa que todos os homens, sim, os homens negros, como também os homens brancos, teriam garantidos os direitos inalienáveis de vida, liberdade e a busca da felicidade. Hoje é óbvio que aquela América não apresentou esta nota promissória. Em vez de honrar esta obrigação sagrada, a América deu para o povo negro um cheque sem fundo, um cheque que voltou marcado com "fundos insuficientes".

Mas nós nos recusamos a acreditar que o banco da justiça é falível. Nós nos recusamos a acreditar que há capitais insuficientes de oportunidade nesta nação. Assim nós viemos trocar este cheque, um cheque que nos dará o direito de reclamar as riquezas de liberdade e a segurança da justiça.

Nós também viemos para recordar à América dessa cruel urgência. Este não é o momento para descansar no luxo refrescante ou tomar o remédio tranqüilizante do gradualismo.

Agora é o tempo para transformar em realidade as promessas de democracia.

Agora é o tempo para subir do vale das trevas da segregação ao caminho iluminado pelo sol da justiça racial.

Agora é o tempo para erguer nossa nação das areias movediças da injustiça racial para a pedra sólida da fraternidade. Agora é o tempo para fazer da justiça uma realidade para todos os filhos de Deus.

Seria fatal para a nação negligenciar a urgência desse momento. Este verão sufocante do legítimo descontentamento dos Negros não passará até termos um renovador outono de liberdade e igualdade. Este ano de 1963 não é um fim, mas um começo. Esses que esperam que o Negro agora estará contente, terão um violento despertar se a nação votar aos negócios de sempre.

Mas há algo que eu tenho que dizer ao meu povo que se dirige ao portal que conduz ao palácio da justiça. No processo de conquistar nosso legítimo direito, nós não devemos ser culpados de ações de injustiças. Não vamos satisfazer nossa sede de liberdade bebendo da xícara da amargura e do ódio. Nós sempre temos que conduzir nossa luta num alto nível de dignidade e disciplina. Nós não devemos permitir que nosso criativo protesto se degenere em violência física. Novamente e novamente nós temos que subir às majestosas alturas da reunião da força física com a força de alma. Nossa nova e maravilhosa combatividade mostrou à comunidade negra que não devemos ter uma desconfiança para com todas as pessoas brancas, para muitos de nossos irmãos brancos, como comprovamos pela presença deles aqui hoje, vieram entender que o destino deles é amarrado ao nosso destino. Eles vieram perceber que a liberdade deles é ligada indissoluvelmente a nossa liberdade. Nós não podemos caminhar só.

E como nós caminhamos, nós temos que fazer a promessa que nós sempre marcharemos à frente. Nós não podemos retroceder. Há esses que estão perguntando para os devotos dos direitos civis, "Quando vocês estarão satisfeitos?"

Nós nunca estaremos satisfeitos enquanto o Negro for vítima dos horrores indizíveis da brutalidade policial. Nós nunca estaremos satisfeitos enquanto nossos corpos, pesados com a fadiga da viagem, não poderem ter hospedagem nos motéis das estradas e os hotéis das cidades. Nós não estaremos satisfeitos enquanto um Negro não puder votar no Mississipi e um Negro em Nova Iorque acreditar que ele não tem motivo para votar. Não, não, nós não estamos satisfeitos e nós não estaremos satisfeitos até que a justiça e a retidão rolem abaixo como águas de uma poderosa correnteza.

Eu não esqueci que alguns de vocês vieram até aqui após grandes testes e sofrimentos. Alguns de você vieram recentemente de celas estreitas das prisões. Alguns de vocês vieram de áreas onde sua busca pela liberdade lhe deixaram marcas pelas tempestades das perseguições e pelos ventos de brutalidade policial. Você são o veteranos do sofrimento. Continuem trabalhando com a fé que sofrimento imerecido é redentor. Voltem para o Mississippi, voltem para o Alabama, voltem para a Carolina do Sul, voltem para a Geórgia, voltem para Louisiana, voltem para as ruas sujas e guetos de nossas cidades do norte, sabendo que de alguma maneira esta situação pode e será mudada. Não se deixe caiar no vale de desespero.

Eu digo a você hoje, meus amigos, que embora nós enfrentemos as dificuldades de hoje e amanhã. Eu ainda tenho um sonho. É um sonho profundamente enraizado no sonho americano.

Eu tenho um sonho que um dia esta nação se levantará e viverá o verdadeiro significado de sua crença - nós celebraremos estas verdades e elas serão claras para todos, que os homens são criados iguais.

Eu tenho um sonho que um dia nas colinas vermelhas da Geórgia os filhos dos descendentes de escravos e os filhos dos desdentes dos donos de escravos poderão se sentar junto à mesa da fraternidade.

Eu tenho um sonho que um dia, até mesmo no estado de Mississippi, um estado que transpira com o calor da injustiça, que transpira com o calor de opressão, será transformado em um oásis de liberdade e justiça.

Eu tenho um sonho que minhas quatro pequenas crianças vão um dia viver em uma nação onde elas não serão julgadas pela cor da pele, mas pelo conteúdo de seu caráter. Eu tenho um sonho hoje!

Eu tenho um sonho que um dia, no Alabama, com seus racistas malignos, com seu governador que tem os lábios gotejando palavras de intervenção e negação; nesse justo dia no Alabama meninos negros e meninas negras poderão unir as mãos com meninos brancos e meninas brancas como irmãs e irmãos. Eu tenho um sonho hoje!

Eu tenho um sonho que um dia todo vale será exaltado, e todas as colinas e montanhas virão abaixo, os lugares ásperos serão aplainados e os lugares tortuosos serão endireitados e a glória do Senhor será revelada e toda a carne estará junta.

Esta é nossa esperança. Esta é a fé com que regressarei para o Sul. Com esta fé nós poderemos cortar da montanha do desespero uma pedra de esperança. Com esta fé nós poderemos transformar as discórdias estridentes de nossa nação em uma bela sinfonia de fraternidade. Com esta fé nós poderemos trabalhar juntos, rezar juntos, lutar juntos, para ir encarcerar juntos, defender liberdade juntos, e quem sabe nós seremos um dia livre. Este será o dia, este será o dia quando todas as crianças de Deus poderão cantar com um novo significado.

"Meu país, doce terra de liberdade, eu te canto.
Terra onde meus pais morreram, terra do orgulho dos peregrinos,
De qualquer lado da montanha, ouço o sino da liberdade!"

E se a América é uma grande nação, isto tem que se tornar verdadeiro.

E assim ouvirei o sino da liberdade no extraordinário topo da montanha de New Hampshire.

Ouvirei o sino da liberdade nas poderosas montanhas poderosas de Nova York.

Ouvirei o sino da liberdade nos engrandecidos Alleghenies da Pennsylvania.

Ouvirei o sino da liberdade nas montanhas cobertas de neve Rockies do Colorado.

Ouvirei o sino da liberdade nas ladeiras curvas da Califórnia.

Mas não é só isso. Ouvirei o sino da liberdade na Montanha de Pedra da Geórgia.

Ouvirei o sino da liberdade na Montanha de Vigilância do Tennessee.

Ouvirei o sino da liberdade em todas as colinas do Mississipi.

Em todas as montanhas, ouviu o sino da liberdade.

E quando isto acontecer, quando nós permitimos o sino da liberdade soar, quando nós deixarmos ele soar em toda moradia e todo vilarejo, em todo estado e em toda cidade, nós poderemos acelerar aquele dia quando todas as crianças de Deus, homens pretos e homens brancos, judeus e gentios, protestantes e católicos, poderão unir mãos e cantar nas palavras do velho spiritual negro:

"Livre afinal, livre afinal.
Agradeço ao Deus todo-poderoso, nós somos livres afinal."

 

Martin Luther King discursando

 

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Discurso de Barack Obama em Chicago Após Vitória  (Discursos) escrito em quarta 05 novembro 2008 15:00

Blog de ponderacoes : Ponderações, Reflexões, Opiniões, Humor, Literatura, Poesia, Cinema, Música, Arte e VIDA!, Discurso de Barack Obama em Chicago Após Vitória

Eis a íntegra do discurso pronunciado pelo presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, na madrugada desta quarta-feira (5), em Chicago, depois da confirmação de sua vitória nas eleições dessa terça-feira.

BARACK OBAMA: Olá, Chicago. Se existe alguém que ainda duvida que a América é um lugar onde todas as coisas são possíveis, que ainda se pergunta se o sonho de nossos fundadores está vivo em nosso tempo, que ainda questiona o poder de nossa democracia, esta noite é a sua resposta.

É a resposta contada pelas filas que se estenderam em torno de escolas e igrejas em números que a nação jamais viu, de pessoas que esperaram três horas ou quatro horas, muitas pela primeira vez em suas vidas, porque acreditaram que desta vez precisava ser diferente, que suas vozes poderiam fazer a diferença.

É a resposta dada por jovens e velhos, ricos e pobres, democratas e republicanos, negros, brancos, hispânicos, asiáticos, americanos nativos, gays, heterossexuais, deficientes e não deficientes. Americanos que enviaram uma mensagem ao mundo de que nunca fomos apenas uma porção de indivíduos ou uma porção de estados vermelhos e estados azuis. Nós somos, e sempre seremos, os Estados Unidos da América.

Essa é a resposta que levou aqueles a quem foi dito por tanto tempo e por tantos para serem cínicos, temerosos e desconfiados sobre o que podemos conseguir a pôr suas mãos no arco da história e curvá-lo uma mais vez no rumo da esperança de um dia melhor.

Foi uma longa jornada, mas esta noite, pelo que fizemos nesta data e nesta eleição neste momento definidor, a mudança chegou à América.

Agora há pouco, esta noite, recebi uma ligação extraordinariamente cortês do senador John McCain. O senador McCain travou uma luta longa e dura nesta campanha. E ele já havia combatido há muito mais tempo e mais duro pelo país que ele ama. Ele suportou sacrifícios pela América que a maioria de nós não pode nem sequer começar a imaginar. Nós estamos em melhor situação pelos serviços prestados por este líder corajoso e abnegado. Eu o felicito; eu felicito a governadora Palin por tudo que eles conseguiram. Pretendo trabalhar com eles no futuro para renovar a promessa desta nação nos próximos meses.

Quero agradecer a meu parceiro nesta jornada, um homem que fez campanha com seu coração, e falou para os homens e mulheres com quem cresceu nas ruas de Scranton e com quem viajou no trem para casa em Delaware, o vice-presidente eleito dos Estados Unidos, Joe Biden.

E eu não estaria aqui nesta noite sem o apoio incansável de minha melhor amiga nos últimos 16 anos, a rocha de nossa família, o amor de minha vida, a próxima primeira-dama da nação, Michelle Obama.

Sasha e Malia, eu amo vocês mais do que vocês podem imaginar. E vocês ganharam o novo cachorrinho que virá conosco para a nova Casa Branca. E embora ela não esteja mais entre nós, eu sei que minha avó está nos assistindo, junto com a família que me fez ser quem eu sou. Sinto sua falta esta noite. Sei que minha dívida para com eles vai além de qualquer medida.

Para minha irmã Maya, minha irmã Alma, todos os meus outros irmãos e irmãs, muito obrigado por todo apoio que vocês me deram Sou grato a eles.

E ao meu diretor de campanha, David Plouffe, o herói não glorificado desta campanha, que construiu a melhor, a melhor campanha política, eu acho, da história dos Estados Unidos da América. Ao meu estrategista-chefe David Axelrod, que foi um parceiro em cada passo do caminho. À melhor equipe de campanha já montada na história da política. Vocês fizeram isto acontecer, e eu serei eternamente grato pelo que vocês sacrificaram para fazê-lo.

Mas, sobretudo, eu jamais esquecerei a quem realmente pertence esta vitória. Ela pertence a vocês. Ela pertence a vocês.

Eu nunca fui o candidato mais provável para este cargo. Não começamos com muito dinheiro nem com muitos endossos. Nossa campanha não foi planejada nos salões de Washington. Ela começou nos quintais dos fundos de Des Moines, e nas salas de visitas de Concord, e nas varandas de Charleston. Ela foi construída por mulheres e homens trabalhadores que usaram toda pequena poupança que tinham para doar US$ 5, US$ 10, US$ 20 para a causa. Ela se fortaleceu com os jovens que rejeitaram o mito da apatia de sua geração, que deixaram seus lares e suas famílias por empregos que ofereciam pouca remuneração e menos sono. Ela extraiu forças das pessoas não tão jovens que enfrentaram o frio cruel e o calor escaldante para bater nas portas de desconhecidos, e dos milhões de americanos que se apresentaram como voluntários, e organizaram, e comprovaram que mais de dois séculos depois um governo do povo, pelo o povo e para o povo não desapareceu da face da Terra. Esta vitória é sua.

E eu sei que vocês não fizeram isso apenas para vencer uma eleição. E sei que não fizeram isso por mim. Vocês o fizeram porque compreendem a enormidade da tarefa que temos pela frente. Pois enquanto estamos aqui celebrando nesta noite, sabemos os desafios que o amanhã nos trará são os maiores de nossas vidas - duas guerras, o planeta em perigo, a pior crise financeira em um século.

Enquanto estamos aqui, nesta noite, sabemos que há bravos americanos despertando nos desertos do Iraque e nas montanhas do Afeganistão para arriscar suas vidas por nós.

Há mães e pais que se deitam e ficam acordados depois que os filhos adormecem e se preocupam sobre como conseguirão pagar a hipoteca, ou as contas de seus médicos, ou poupar o suficiente para a educação universitária de seus filhos. Há nova energia para explorar, novos empregos para criar, novas escolas para construir, e ameaças a enfrentar, alianças a reparar. O caminho à frente será longo. Nossa subida será íngreme. Talvez não consigamos chegar lá em um ano. ou mesmo em um mandato. Mas, América, eu nunca estive mais esperançoso do que estou nesta noite de que chegaremos lá.

Eu prometo a vocês, nós, como povo, chegaremos lá.

PÚBLICO: Sim, nós podemos! Sim, nós podemos! Sim, nós podemos!

OBAMA: Haverá recuos e falsos começos. Há muitos que não concordarão com cada decisão ou política que eu adotar como presidente. E nós sabemos que o governo não pode resolver todos os problemas. Mas eu sempre serei honesto com vocês sobre os desafios que enfrentamos. Eu ouvirei vocês, especialmente quando discordarmos. E, sobretudo, eu pedirei para vocês se unirem no trabalho de refazer esta nação, da única maneira que isso foi feito na América por 221 anos - bloco por bloco, tijolo por tijolo, mão calejada por mão calejada.

O que começou há 21 meses nas profundezas do inverno não pode terminar nesta noite de outono. Esta vitória sozinha não é a mudança que buscamos. É apenas a chance de fazermos essa mudança E isso não pode acontecer se recuarmos para a maneira como as coisas eram. Isso não pode acontecer sem vocês, sem um novo espírito de serviço, um novo espírito de sacrifício. Portanto, vamos convocar um novo espírito de patriotismo, de responsabilidade, em que cada um de nós decide pôr as mãos na massa e trabalhar mais duro e ser responsável não somente por si, mas pelo próximo.

Vamos nos lembrar de que, se esta crise financeira nos ensinou alguma coisa, é que não podemos ter uma Wall Street próspera enquanto os investidores comuns sofrem.

Neste país, nós ascendemos ou tombamos como uma nação, como um povo. Vamos resistir à tentação de cair no mesmo partidarismo e trivialidade e imaturidade que envenenou nossa política por tanto tempo.

Vamos nos lembrar de que foi um homem deste Estado (Illinois) quem primeiro carregou a bandeira do Partido Republicano para a Casa Branca, um partido fundado sobre os valores da confiança em si mesmo e da liberdade individual e da unidade nacional. Esses são valores que todos nós compartilhamos. E embora o Partido Democrata tenha conquistado uma grande vitória nesta noite, nós o fazemos com uma dose de humildade e determinação de curar as divisões que tolheram nosso progresso.

Como Lincoln disse a uma nação bem mais dividida que a nossa, não somos inimigos, mas amigos. Embora a paixão possa ter criado tensões, ela não deve romper nossos laços de afeição.

E para aqueles americanos cujo apoio eu ainda preciso conquistar, eu posso não ter obtido seu voto esta noite, mas ouço as suas vozes. Eu preciso de sua ajuda. E serei o seu presidente também.

E para todos aqueles que estão assistindo nesta noite de além de nossas praias, de parlamentos e palácios, para aqueles que estão acotovelados em torno de aparelhos de rádio nos cantos esquecidos do mundo, nossas histórias são singulares, mas nosso destino é comum, e uma nova aurora da liderança americana está perto.

Para aqueles... para aqueles que dilacerariam o mundo: nós os derrotaremos. Para aqueles que buscam a paz e a segurança: nós os apoiamos. E para todos aqueles que se perguntavam se o farol da América ainda tem o mesmo clarão: esta noite provou uma vez mais que a verdadeira força de nossa nação vem, não do poderio de nossas armas ou da escala de nossa riqueza, mas do poder duradouro de nossos ideais: democracia, liberdade, oportunidade e esperança inflexível. Esse é o verdadeiro espírito da América: que a América pode mudar. Nossa união pode ser aperfeiçoada. O que já conseguimos nos dá esperanças pelo que podemos e devemos alcançar amanhã.

Esta eleição teve muitas primeiras vezes e muitas histórias que serão contadas por gerações. Mas uma que está em minha mente esta noite é sobre uma mulher que depositou seu voto em Atlanta. Ela é muito parecida com os milhões de outros que fizeram fila para fazer sua voz ser ouvida nesta eleição exceto por uma coisa: Ann Nixon Cooper tem 106 anos. Ela nasceu apenas uma geração após a escravidão; um tempo em que não havia carros na estrada nem aviões no céu; em que alguém como ela não podia votar por duas razões - porque ela era mulher e por causa da cor de sua pele. E nesta noite, eu penso em tudo que ela viu ao longo de seu século na América - a aflição e a esperança; a dificuldade e o progresso; os tempos em que nos diziam que não podemos, e as pessoas que avançaram com aquele credo americano: Sim nós podemos. Num tempo em que as vozes das mulheres eram silenciadas e suas esperanças desconsideradas, ela viveu para vê-las se erguer, e se manifestar e alcançar o voto. Sim nós podemos. Quando houve desespero no Dust Bowl e depressão em todo país, ela viu uma nação vencer o próprio medo com um New Deal, novos empregos, um novo senso de propósito comum. Sim, nós podemos.

PÚBLICO: Sim, nós podemos.

OBAMA: Quando as bombas caíram sobre nosso porto e a tirania ameaçava o mundo, ela estava lá para testemunhar a ascensão de uma geração à grandeza e uma democracia foi salva. Sim, nós podemos.

PÚBLICO: Sim, nós podemos.

OBAMA: Ela estava lá para os ônibus em Montgomery, as mangueiras em Birmingham, uma ponte em Selma e um pregador de Atlanta que disse a um povo que nós superaremos. Sim, nós podemos.

PÚBLICO: Sim, nós podemos.

OBAMA: Um homem desceu na lua, um muro caiu em Berlim, um mundo foi conectado por nossa própria ciência e imaginação. E neste ano, nesta eleição, ela tocou com seu dedo uma tela e depositou seu voto porque após 106 anos na América, passando pelo melhor dos tempos e as horas mais tenebrosas, ela sabe como a América pode mudar. Sim, nós podemos.

PÚBLICO: Sim, nós podemos.

OBAMA: América, nós chegamos tão longe. Nós vimos tanta coisa. Mas ainda há muito mais para fazer. Então, nesta noite, vamos nos perguntar - se nossos filhos vão viver para ver o próximo século; se minhas filhas tiverem a fortuna de viver tanto quanto Ann Nixon Cooper, que mudança elas verão? Que progresso nós teremos feito? Esta é nossa chance de responder a esse apelo. Este é o nosso momento. Este é o nosso tempo, para colocar nosso povo de novo no trabalho e abrir portas de oportunidade para nossos filhos; para recuperar a prosperidade e reafirmar essa verdade fundamental, que, de muitos, nós somos um; que enquanto respirarmos, teremos esperança. E onde formos recebidos com cinismo e dúvidas e por aqueles que nos dizem que não podemos, nós responderemos com aquele credo intemporal que resume o espírito de um povo. Sim, nós podemos Obrigado. Deus os abençoe! E que Deus abençoe os Estados Unidos da América.

Fonte: AE

(Extraído do site http://jc.uol.com.br/2008/11/05/not_184258.php em 05/11/2008)

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